Assentados do RS denunciam pulverização aérea de agrotóxicos em suas produções agroecológicas

Assentados do RS denunciam pulverização aérea de agrotóxicos em suas produções agroecológicas

FONTE: Sul21

Produção orgânica de assentamento foi prejudicada por pulverização de terceiros

O Assentamento Santa Rita de Cássia II, de Nova Santa Rita, na região Metropolitana de Porto Alegre, vem sofrendo prejuízos constantes em suas produções agroecológicas. O motivo é o agrotóxico colocado no arroz convencional por produtores vizinhos. O assentamento faz divisa com a Granja Nenê, que utiliza a pulverização com agrotóxico em suas lavouras.

Nos dias 11 e 12 de novembro, 20 das 100 famílias assentadas perderam seus alimentos orgânicos após um avião utilizado para fumigação de insumos químicos passar por suas casas, hortas, aquíferos, pastagens, pomares de árvores frutíferas e vegetação nativa.

Segundo Graciela Almeida, assentada e produtora agroecológica, além disso, os próprios camponeses começaram a passar mal em decorrência dessa pulverização. “Estamos indignados com o acontecido, porque seja intencional ou não, o fato é que tivemos prejuízos na saúde, na produção, no ambiente, na vida dessas famílias”, destaca a sem terra.

As famílias relatam que isso já ocorreu em anos anteriores, mas nenhuma medida foi tomada por parte das autoridades. Logo após a contaminação, foi registrado Boletim de Ocorrência nos órgãos competentes como a Polícia Civil, Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura, Saúde e Prefeitura Municipal, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Grupo Gestor das Hortas Micro Nova Santa Rita, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e Secretaria de Agricultura do Estado.

“Exigimos investigação, justiça, reparação de danos, e uma legislação ambiental que aborde as necessidades de um município que é conhecido por ser a Capital da Agricultura Orgânica”, cobra Graciela.

No dia 26 de novembro, os assentados se reunirão com a Prefeita Margarete Ferretti, com Marli Castro, Secretário da Agricultura, Ieda Bilhalva, secretária do Meio Ambiente e técnicos da Emater, para exigir uma ação da administração municipal diante desses fatos graves que ocorreram.

Assentamentos cobram ações do poder público para deter contaminações (Divulgação/MST-RS)

Na sexta-feira (27), Leonardo Melgarejo, engenheiro agrônomo e membro da Associação Brasileira de Agroecologia (Abrasco) fará uma denuncia na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. E no dia 1º de dezembro, as famílias irão para a tribuna da Câmara de Vereadores do município de Nova Santa Rita, para realizar uma denúncia e cobrar atitudes dos vereadores em relação a contaminação feita no assentamento.

“O que nós queremos é o fim da  pulverização aérea no município. Política pública para os produtores orgânicos, punição aos culpados e ressarcimento dos danos causados. Precisamos também politizar esse debate com a sociedade, reforçar a importância da produção e da alimentação saudável, e pedir pelo fim do uso de venenos”, assinala José Carlos Almeida, assentado no Santa Rita de Cássia II.

As famílias assentadas vivem dessa produção. Trabalham para a subsistência e participam de programas sociais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Além disso, comercializam seus alimentos nas feiras orgânicas de Porto Alegre e da região Metropolitana.

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