Mais de 300 famílias temem despejo forçado em ocupação na periferia de Curitiba

Mais de 300 famílias temem despejo forçado em ocupação na periferia de Curitiba

Defensoria Pública e Comissão de Direitos Humanos da Alep buscam intermediação após movimentações da PM e GM no local

As 311 famílias cadastradas na ocupação Nova Guaporé, na Cidade Industrial de Curitiba, estão apreensivas e assustadas com a movimentação da Guarda Municipal e Polícia Militar no local durante esta quarta-feira (16).

Os moradores temem um possível despejo. A ocupação existe desde outubro e está instalada no complexo de ocupações na região do Sabará, Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Trata-se de uma região de grande necessidade por moradia onde já surgiram ao menos seis ocupações desde 2015.

A Defensoria Pública do Paraná e a comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) buscam intervir. “Fizemos ofício pela comissão de Direitos Humanos para a Secretaria estadual de Segurança Pública, é importante que saibam que tem mais gente acompanhando”, afirma o deputado estadual Tadeu Veneri (PT-PR).

Advogados consultados pela reportagem informam que o terreno é privado, pertencente a uma imobiliária.

“A precarização da vida trazida com a pandemia do Covid, junto ao descaso do governo, levaram mais de 300 famílias a ocuparem a área, por não ter condições de pagar aluguel neste momento de crise”, explica Valéria Fiori, advogada do Instituto Democracia Popular (IDP) que presta assessoria às famílias.

Organizações populares apontam se deslocar para o local em solidariedade. Moradores, por sua vez, estão organizados. “O pessoal está com medo, nervoso, não tem para onde ir, o que fazer, não foi recebida documentação nenhuma até agora, pessoal quer a moradia e deve ficar em cima do terreno, lutar pelos seus direitos”, afirma Robert, morador local.

A crise econômica tem forçado ocupações urbanas em semanas recentes em Curitiba, com consequente violência por parte do poder público. Há duas semanas, outras famílias foram despejadas pela Guarda Municipal.

“Em um momento pandêmico, em que diversas famílias estão sofrendo perdas econômicas consideráveis, reprimível é sim a ação do Estado que, alheio a todo o contexto social, se interessa apenas em manter sua terra vazia”, afirma a advogada popular Alice Correia, da Rede Nacional de Advogados Popular (Renap).

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